quinta-feira, 16 de julho de 2009

14 Juillet


Eu fui. Os fogos foram lindos, as projeções que fizeram a torre dançar e pular foram lindas, mas o mais bonito de tudo foi ver o significado da data para os franceses.

Inicialmente tínhamos pensado em viajar para aproveitar o feriado prolongado e achei muito engraçada a reação dos colegas de trabalho do Luiz quando ele contou dos nossos planos. Foi algo como: "Mas você vai viajar no feriado? E perder as comemorações?" Fiquei pensando: qual o brasileiro que escolheria deixar de viajar num 7 de setembro pra ver a parada militar? Bom, a viagem não deu certo por que$tõe$ prática$ e acabamos ficando para ver qual é a do 14 juillet. E foi bonito ver que a Festa Nacional, como eles chamam, é realmente uma festa nacional.

Sempre achei o patriotismo brasileiro deveras hipócrita e quem já passou uma copa do mundo comigo por perto sabe bem disso. É um patriotismo de ocasião. Somos bons (?) em futebol, nessa época somos melhores do que o resto do mundo (?), então vale a pena sair de verde e amarelo e comemorar o fato de ser brasileiro. Depois, só daqui a quatro anos. Não vejo ninguém igualmente feliz em ser brasileiro quando não tem um jogo de futebol pra ganhar (porque quando perde também é outra história). O 7 de setembro, quando deveríamos comemorar nossa independência como nação, é só mais um dos zilhões de feriados que temos no ano, e ficamos p. da vida quando ele cai no fim de semana.

Pois então, o 14 juillet é um dos três feriados que os franceses têm no ano. Por isso, pensamos nós brasileiros desesperados por feriados, deveriam sair correndo pra alguma fantástica praia espanhola aproveitar a folga. Mas não. O 14 juillet é quando o francês fica no seu país, na sua cidade, e sai na rua feliz em ser francês. Não que ele não tenha essa felicidade nos outros dias, mas reserva essa data para festejá-la. Sem exageros, porém. Não se vê ninguém de azul, branco e vermelho dos pés à cabeça ou buzinando e abanando bandeirinhas por aí. Eles simplesmente vão até o supermercado ou padaria, compram uma baguete, brie e vinho rosé (que não consideram vinho "de verdade", mas bebem no verão porque é o único que se pode beber realmente gelado), trazem a cestinha, a toalha xadrez, sentam no Campo de Marte, com uma boa vista para a torre, e fazem um piquenique para esperar os fogos, ouvindo o show de algum artista local. Claro que tem os imigrantes, os turistas, os curiosos. Mas tem sobretudo os franceses. Porque ser francês (principalmente parisiense) é também aceitar essa diversidade e festejar com um orgulho tranqüilo que aquela torre, aquele parque, aquela festa, são um pouquinho mais dele.

Sim, no final todo mundo vai embora junto, a cidade parece um formigueiro e o metrô fica lotado além da imaginação. Mas, apesar de ver muita gente bebendo, não vi um bêbado, uma briga, um empurra-empurra. Ah, quer dizer, eu vi um bêbado. O único. Xingando bem além do necessário um motorista que estava passando pela faixa de pedestres quando o sinal fechou. E ele (o bêbado) era, adivinhem... brasileiro. Era uma festa. Todo mundo festejou, brincou, dançou, bebeu, viu o espetáculo, recolheu a sua trouxinha e foi pra casa.

Patriotismo sem exageros nem hipocrisia. Uma festa aberta ao público sem bebedeira, violência ou tumulto. O Brasil podia aprender um pouquinho com isso, né?

5 comentários:

  1. Fiquei até com um calorzinho no coeur! Pelo que vi a festa foi linda mesmo, teve até participação indiana (os motivos vou deixar pra lá para não estragar o momento)

    =)

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  2. Laaaaaau, faz um post sobre verlan! Acho uma coisa muito louca. Beijo!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Lau! Que lindo deve ter sido essa 'festinha', me fez lembrar da mesma data na Australia, segue o mesmo estilo, comemoração sem hipocrisia!

    Saudades

    PS.: To cuidando bem tá??

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  5. Oii Laulau, o Brasileiro é patriota quando convém... Muito triste isso. Mas que massa a festa, ví pela TV. Beijo.

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